Reflexões depois da chuva

Vou iniciar esse texto com uma frase já citada aqui no blog algumas vezes: “Photograph what you love!”. Minhas fotos refletem verdadeiramente o meu cotidiano, momento de vida, sentimentos, referências momentâneas, disponibilidade de tempo e projetos. Às vezes refletem até o clima e a estação. Resumindo: refletem a vida e esse movimento constante que empurra a gente de qualquer jeito, pois a vida não para e não te espera.

São só fotos do meu jardim depois da chuva, e são fotos de um momento de extrema lucidez e de uma certa dor pela realidade, a saudade, a vida como ela é. Estamos num ano chuvoso depois de uns três anos super secos. Poucas oportunidades para street, difícil ter uma modelo ao mesmo tempo que faz um clima bom para um ensaio externo, também não tenho me empenhado para que isso aconteça. É bom variar.

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Acho que tudo tem seu tempo realmente. Tempo de se encantar e tempo de perder o encanto. Perdi o encanto com algumas pessoas e que bom por isso! Dá uma sensação de liberdade. Ao mesmo tempo dá uma tristezinha por que é da nossa natureza procurar em quem se espelhar, a gente precisa de referência.

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Fiz essas fotos com o meu amor antigo, amor primeiro: a T3 com a 50tinha. Por alguma razão que eu não sei explicar tecnicamente, as lentes que eu tenho da Fuji não fotografam bem de perto, o foco é bem difícil, então quando quero detalhes eu prefiro a Canon 50 mm f/1.8, geralmente em f/2.8. As Fuji arrebentam mesmo é nos retratos.

Tenho até participado bem menos de grupos de fotografia por conta dessa mania que o ser humano tem de endeusar alguma coisa e desdenhar das outras. Ninguém consegue andar pelo caminho do meio e eu não me identifico com isso. Amo a minha X-T10, mas também amo a Minha T3, qual o problema nisso?

Qual o problema de fotografar vários segmentos diferentes? Já me deixei influenciar pelas ideias de alguns fotógrafos, confesso, pela admiração ao trabalho, ao site, ao feed do Instagram, ao Flickr, sei lá. Talvez também pela vontade de ter um reconhecimento tipo ao dessas pessoas, isso é um engano. Um erro natural, uma coisa da minha humanidade. Agora que percebi vou consertar, já estou consertando na verdade.

A fotografia existe para me servir, para me fazer feliz, não pagará minhas contas, não me fará melhor que ninguém, não será moeda de troca. Será apenas a minha forma de falar sem usar palavras.

Se você chegou até aqui é por que compartilha das mesma ideias. Se alguém quiser conversar melhor sobre isso estou por aqui…

Beijos…

Pontos de fuga em retratos

Hoje é um daqueles dias que eu estou brainstorming, tive contato com alguns livros na semana passada e li um par de frases que desencadearam pensamentos e muitas ideias, por coincidência, um dos autores era assim que nem eu, vivia tendo insites sem ter tempo para executar, foi quando resolveu escrever o livro juntando tudo o que ele tinha anotado sem se preocupar com a ordem.

Eu não sou escritora e nem tenho a pretensão, aliás, sou sim, mas escrevo com luz (hahaha… piadinha fotográfica!) 😀 . Essa introdução é só para dizer que eu pretendia escrever sobre pontos de fuga (vanishing points) em retratos há bastante tempo, mas só agora tive o insite/oportunidade. Pesquisei um pouco web afora e não encontrei nenhum artigo que falasse do uso de pontos de fuga especificamente em retratos, então me animei de escrever, lógico que deve ter, eu que não procurei o suficiente…mas enfim…

No final do post vou colocar o link para alguns textos interessantes que encontrei, eles falam do uso de pontos de fuga como elemento de composição e também fazem um breve histórico, já que essa ferramenta, por assim dizer, era usada por grandes artistas muitos séculos atrás.

A forma mais fácil de visualizar pontos de fuga é na fotografia de paisagem e arquitetura, pois as linhas do horizonte e de construções se deitam e se levantam bem na nossa frente. Confesso que comecei a incorporar essas linhas nos meus retratos de forma meio instintiva, sem a real intensão de usá-las na composição, mas depois de alguma análise passei a achar resultados interessantes e a procurar as linhas na hora de compor.

PAREDES

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Paredes com linhas aparentes são excelentes direcionamentos para o olhar. Eu sou apaixonada por grandes aberturas (fotografo geralmente na maior abertura da lente) e desfoque, então por conta disso as linhas não ficam tão evidentes, mas acredito que se os retratos forem feitos a f/3.5 em diante o resultado seja mais contundente. Bem, como sempre, depende da intensão e estilo do fotógrafo.

LINHAS REAIS

Chamei de linhas reais aquelas que são palpáveis, como vigas, corrimãos, etc. Essas ficam apenas esperando que a gente posicione os modelos. O ensaio da Lorena no Porto de Itacoatiara foi feito todo trabalhado nas linhas de fuga das estruturas de ferro do lugar.

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RUAS E CORREDORES

Posicionar o assunto no centro de corredores, ruas, estradas, caminhos, pontes, etc. também dá um efeito bacana na composição. Volto a lembrar, eu sou a maria-desfoque, então as linhas não ficam tão evidentes. O meu foco é o modelo.

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As duas fotos a seguir são do Bernardo Moreira, um fotógrafo de Brasília de quem eu sou super fã:

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Sobre o livro que citei no início, se chama Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves. Aqui vão os links para quem quiser ler mais sobre pontos de fuga:

Definição de ponto de fuga

Como usar ponto de fuga em fotografias

Composição usando linhas guias e pontos de fuga

O horizonte é literalmente o limite em fotos assim. Para ver mais fotos dos meus trabalhos acessem o menu Portfólio ali em cima, também posto com certa regularidade no instagram @_ianegomes_.

Quero saber o que acharam do assunto e do tipo de post, aguardo feedback de vocês. Obrigada por chegar até aqui.

Se as bicicletas falassem

Há meses não rolava um street, o post de hoje é fruto de uma decisão em cima da hora. Conseguimos (eu e Frank) fazer pouco mais de meia hora de fotos, mas foi suficiente para acalmar a seca. Confesso que vivencio pouco a realidade das ruas de Itacoatiara, tenho meu gueto e, como se isso não fosse suficiente, se não estiver no trabalho, eu amo ficar em casa. Portanto, as cenas são tão surpreendentes pra mim quanto para quem está lendo isso aqui agora.

O acaso me levou ao campo de futebol do bairro Santo Antônio, mas precisamente a uma partida da Copa do Mundo de Masters, jogando Brasil x Japão. Lamentei não ter chegado no dia posterior, pois jogariam Nigéria e outro país que nem gravei, pois só de ouvir o locutor dizer que a Nigéria ia jogar eu já desconcentrei.

Eu estava lá para tirar fotos, então não vi nada do jogo, só soube que o Brasil ganhou de 3 x 0 na hora que eu fui saindo meio apressada por que começou  a chuviscar. Meu olhar foi atraído pela quantidade de bicicletas ao redor do campo, de todas as cores, novas e velhas, de vários modelos, tipo o transporte oficial do público presente. Foquei a saída oportuna em mostrar o que essas bikes falam e espero que vocês entendam.

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Uma pausa só pra dizer que pra mim, street é preto e branco, por uma série de razões que eu já devo ter comentado em outros posts. Mas ficaria faltando uma informação: a variedade de cores das magrelas. Então, abro aqui uma exceção:

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Também fiz uns cliques da galera da arquibancada…

Iane Gomes - todos os direitos reservadosIane Gomes - todos os direitos reservadosIane Gomes - todos os direitos reservadosIane Gomes - todos os direitos reservadosIane Gomes - todos os direitos reservados

Me passo para a criançada que é sempre quem nota nossa presença e dá uma olhadinha pra lente. Gostei de ter feito essas fotos para lembrar como a gente pode viver em mundos tão diferentes no mesmo espaço geográfico.

Obrigada por chegar até aqui!